Carta para Marina

Está escrito nos autos, certificado na lei, que ela nasceu as 23:00 h do dia 20 de setembro de 2016. Mas aqui pra mim, ela brotou no mais profundo local do meu coração naquele janeiro do mesmo ano de 2016. 
Ela no Rio de Janeiro e eu em São Paulo. Era verão, o apartamento tinha recentemente ficado vazio. Meu coração andava conflitante e enjoado; sintomas gestacionais. Faxinava com vassoura, pano úmido, música e cerveja naquele dia quente, quando meu telefone notificou uma mensagem. Na tela plana do aparelho o nome dela; "Renata" e estava escrito logo abaixo: "Me liga".
Antes de narrar esse fato, precisamos falar de Renata. Renata é minha irmã, a mais nova. Somos nós duas saídas de Cristina. Porem não somos únicas. Nossa casa sempre foi repleta de primos e filhos de primos, e tios e tias (são SEIS só da parte da minha mãe) e sempre muita festa. Aos 3 anos pedi de presente ao Papai Noel um irmão ou irmã. Meu pai, Maurício; filho único, não queria que sua primogênita ficasse sozinha. Na verdade, acho que secretamente ele queria tentar um filho menino, filho esse que eu tentei suprir durante toda a vida, com tentativas e perguntas sobre futebol, times, carros... Todas as tentativas foram frustradas, até eu acertar na cerveja. Minha mãe, mesmo com suas seis irmãs, achava a melhor coisa do mundo ter irmão. Então eu tive. Em Outubro de 1983, nasceu aquela bolotinha sem pescoço, de cabelo bem preto, e o olhar já bravo. Muito parecido com o de Marina, personagem principal dessa história. Renata e eu tivemos nossos altos e baixos,e ela nunca desistiu de mim. Sempre apostou que dentro desse coração duro de pedra, havia a irmã mais velha que lhe foi prometida.
Então, voltando naquele janeiro de 2016; Renata, me ordenou que ligasse, sem maiores explicações. Quem mora longe da família sabe que esse tipo de coisa não se faz. No caminho entre o quarto e o sofá com telefone na mão, foram no meu coração 50 horas de um filme de tragédia completo. Tomei fôlego. Liguei. Demorava mais do que o normal, ou era somente impressão minha.
Ela atendeu.
Eu disse; "O que aconteceu, Renata?!" Já entrando em desespero.
Ela disse; 
"Você vai ser titia!". 
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Sim, minha cara, se ela pudesse ver, estaria estampada aquela ampulheta do antigo Windows quando a internet era discada(me respeita que eu sou dessa época). Até hoje eu não entendi minha dúvida. Eu só tinha UMA irmã, que estava recém casada com seu primeiro namorado, que eu não suportava e hoje é o cunhado do coração. A conta era muito fácil, mas eu só consegui responder depois de uma enorme pausa, com a pergunta mais idiota que se pode fazer numa situação dessas para uma enfermeira;
"Tem certeza?".
Pütz, que pergunta foi essa? E não parou por aí;
"Você já contou pra mais alguém?". Ela;
"Raquel, estou no hospital. Ninguém sabe. Você foi a primeira pessoa que eu quis contar." 
Pütz! Pütz ! PQP!! "Fracassei demais na missão de ser a primeira a saber da existência de um sobrinho/sobrinha" 
Precisava respirar. Até agora estava em apnéia.
"Renata, parabéns!!! Eeee!! (Nossa que sem graça) Vou continuar minha faxina aqui".
Segundos depois ela me enviou uma foto do teste de urina e os dois palitinhos. Tava super positivo, tava mega positivo. Tava positivo valendo, real, oficial.
Daí, como uma explosão; nascemos.
Nasceu ela sobrinha, nasceu ela mãe , nasceu minha mãe; vó, nasceu meu pai; vô coruja, corujérrimo babão, nasceu eu; tia. TI-A! Sou tia... SOU TIA, PORRAAAAAA!!! Ahhhhhhhh!! Nascemos todos ali, depois do envio daquela foto de xixi grávido. Naquele dia, ela (Renata) que já era um presente pra mim, me deu o maior presente que a vida pôde me dar até agora. Uma vidinha que a MÃE dela, acredita que se alguma coisa, qq coisa aconteça com ela, eu; EU, cara! Sou a pessoa mais indicada pra cuidar da forma mais parecida dessa menina. Ela me fez madrinha... Que responsa. E eu fico feliz pá carai.
Marina, minha sobrinha. É tão especial. Não é porque é minha sobrinha, não... Mentira! É sim! No MEU mundo ela é a mais linda, mais esperta, inteligente, forte, decidida, brava... Eu tenho tanto orgulho dela quando briga comigo, que agarro ela o tempo todo. Penso; " Isso aí Marina, não dá mole mesmo não ! Mostra que seu corpo suas regras, bebê mais linda".
Marina, tem o olhar atento, observador. Aparentemente como qualquer bebê desbravador. Mas como já disse, no MEU mundo; Marina é mais.
Já falei que ela é especial? Rsrs
Ah... E ela só faz o que quer, viu?! Não faz nada pra agradar ninguém, só o que ela deseja. Isso é tão fantástico! Ela só ri pra quem ela quer, isso é bárbaro.
Marina, é chamada princesa. Mas pra mim, no MEU mundo, aliás no mundo nosso, meu e dela, Marina é Rainha guerreira. Quando imagino Marina, desenho animado, imagino ela vestida de super heroína. Bem forte, bem decidida, corajosa. Marina é minha mestra. Me ensinou que o amor pode ser sempre maior, sempre abrangente. Sempre mais bonito. Marina me ensinou a ter medo; eu que não nasci pra ser chão, hoje analiso as condições de voo antes de alça-lo. Ela é LUZ. Tenho a impressão que nessa vida, Marina nasceu pra ensinar. Queria ser Marina quando crescesse. Quero estar sempre por perto. Já imagino a gente sentada num restaurante, na praia pegando SOL, indo ao teatro, exposição, balada... Imagino a gente conversando sobre todos os assuntos. Imagino a gente sendo melhores amigas. Mas antes de qualquer coisa mesmo, imagino Marina feliz. Por que é o que eu desejo a ela todos os dias. Não tem um dia que eu não pronuncie esse nome; MARINA.
E hoje no dia que ela escolheu pra ela, não há um lugar que eu quisesse mais estar que "no colo" dela. 
Feliz dia, minha vida! 
Agora desafio você que leu tudo, contar quantas vezes tem "Marina", nesse texto longo. 
Te amo, amor meu.






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