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Cozinhando memórias

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Eu tenho essa coisa com a saudade, né?! Sempre senti saudade. Em todas as épocas da minha imprevisível vida. Quando era criança, morava em Irajá no RJ, sentia saudades de Pirassununga, onde nasci e da casa na Tavares Guerra no bairro do Cajú, também no RJ. Detalhe, eu nasci em Pirassununga e fomos morar no RJ eu tinha 3 anos e no mesmo ano nos mudamos pra Irajá. Eu não tinha memória disso, mas sempre gostei de ouvir as histórias que minha mãe  contava. Ela falava e parecia que toda a cena se formava na minha cabeça. Então eu sentia saudade. Depois as saudades foram se acumulando... Saudade da escolinha no Centro Comunitário do 1059; da Tia Adelair, Tia Nádia e Tia Nelinda do Educandário... Saudades do meu Isamael... Depois de Jandira, Philadelpho e Neusa. Saudade do dia que eu voltei sozinha de ônibus do Colégio Percepção em Vaz Lobo, queria fazer uma surpresa pra minha mãe porque a última aula foi cancelada. Uma surpresa e tanto. Não existia celular naquela época... Saudade...

Treze de maio

É o dia em que foi assinada a Lei Áurea. Mais conhecido como o dia que o colonizador branco europeu definiu que as pessoas pretas, não precisariam mais servi-las. Deixariam de ser escravas, pq um dia eles encontraram um povo diferente deles e concluíram que eram uma raça inferior. E com isso criaram um hiato de desigualdade na sociedade que já duram 520 anos. Isabel, tá esperando o quê ? Um "muito obrigada " , princesa?? Bom, não quero discorrer sobre tudo o que penso desse tema, vou guardar pro ENEM... Quero falar que também nessa mesma data há uns 12 anos, nos deixava desse plano Dona Neusa. Minha última avó viva.  Das muitas histórias de Dona Neusa, eu não consigo deixar de contar sobre sua origem.  Minha bisavó, Dona Santa, casou-se com Sr. Bedeu. Ela era descendente de portugueses, donos da fazenda onde a família de meu bisavô era escrava. Ela foi deserdada e fugiu com seu amor. Fora o fato de que era pra eu ser uma herdeira rica, pq além dessa história pelo lado de meu ...

Carta para Marina

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Está escrito nos autos, certificado na lei, que ela nasceu as 23:00 h do dia 20 de setembro de 2016. Mas aqui pra mim, ela brotou no mais profundo local do meu coração naquele janeiro do mesmo ano de 2016.  Ela no Rio de Janeiro e eu em São Paulo. Era verão, o apartamento tinha recentemente ficado vazio. Meu coração andava conflitante e enjoado; sintomas gestacionais. Faxinava com vassoura, pano úmido, música e cerveja naquele dia quente, quando meu telefone notificou uma mensagem. Na tela plana do aparelho o nome dela; "Renata" e estava escrito logo abaixo: "Me liga". Antes de narrar esse fato, precisamos falar de Renata. Renata é minha irmã, a mais nova. Somos nós duas saídas de Cristina. Porem não somos únicas. Nossa casa sempre foi repleta de primos e filhos de primos, e tios e tias (são SEIS só da parte da minha mãe) e sempre muita festa. Aos 3 anos pedi de presente ao Papai Noel um irmão ou irmã. Meu pai, Maurício; filho único, não queria que sua primogên...

Arrancando o bandaid

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Eu fui o tipo de criança que se machucava sempre. Eu corria muito e tinha os joelhos virados pra dentro, então eles batiam um no outro.  Eu caía. Um dia eu cai e bati com a boca no chão. Nesse mesmo dia tinha uma festa da escola e eu ia dançar aquela música do Gugu, do pintinho amarelinho. Na fantasia tinha um bico de papel que cobriu o tamanho do bico que eu fiquei, mas nada foi capaz de disfarçar o ódio no olhar da dor que eu sentia. Eu chorava pouco.  E é assim até hoje. Eu não choro.  A não ser que seja de ódio. Se eu não posso matar meu ódio eu choro de impotência. Também não sou de prolongar as dores.  Eu caio,  machuco,  choro escondido de dor,  depois de ódio;  aí eu levanto, enxugo as secas lágrimas, respiro fundo e tomo decisões.  Geralmente práticas, rápidas e assertivas.  Cortes cirúrgicos.  Substituições necessárias.  Sempre extremistas. Fui da época do ardente Merthiolate. Ard...